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Sobre a guerra, a paz e a cultura

outubro 6, 2010

Diariamente, surgem nos meios de comunicação notícias sobre conflitos internacionais. Árabes contra israelenses, insurgências de minorias étnicas na China, Rússia, África. Com o fim das tensões entre capitalistas e socialistas, acreditava-se em um mundo mais pacífico. Mas não é isso que se vê. José Saramago, escritor, crítico, comunista, combatente, intelectual, Nobel (são muitos os qualitativos que se enquadram em seu perfil) escreveu um artigo que compreende exatamente essa realidade atual. Confira e aproveite a leitura!

Sobre a guerra, a paz e a cultura

“Todos sabemos, quer por experiência directa quer por informação do que em terra alheia se passa, como se fazem mobilizações para a guerra. Após a criação prévia, ou oportuna exacerbação, do indispensável foco de conflito, começa a decorrer o processo mobilizador das consciências, invariavelmente entre apelos ao patriotismo elementar, invocações de autênticas ou supostas glórias pretéritas, desfiles cívicos e militares, parangonas de jornais, hinos, discursos, imagens multiplicadas, sons atroadores, e, enfim, com a frieza irrecusável das fórmulas burocráticas, o edital afixado nos lugares públicos e a convocatória que se recebe em casa. Ainda mal foi disparado o primeiro tiro, e esta guerra, conforme os casos, já é santa, já é justa, já é necessária, quando não acumula todos esses atributos e outros que igualmente a justifiquem. Ao longo dos séculos, a arte de mobilizar para a guerra aperfeiçoou métodos e técnicas, com vista a equilibrar, reciprocamente, as potências, a autoridade compulsiva dos governos e a subtileza das múltiplas determinantes que condicionam os comportamentos colectivos e individuais. A arte de persuadir e convencer tem na mobilização bélica uma das suas mais acabadas expressões.

E a paz? A paz, em geral, não anda acompanhada de adjectivos. Mas ninguém ignora que muitas vezes a dizem paz armada, o que, obviamente, significa, não já paz, mas deliberada disposição para a guerra. E quando se tornou incómoda para as sofreguidões e impaciências dos que a detestam, então ainda pode ser chamada doutra maneira: é a paz podre, trágico paradoxo linguístico que pretende apresentar como imobilidade, morte e putrefacção aquela mesma paz que é, verdadeiramente, a condição da vida.

Estas duas simples verificações acabam por conduzir-nos ao plano da cultura, aqui entendida como situação do homem e sua relação com o mundo e com a sociedade nacional a que pertença. Culturalmente, temos de reconhecê-lo, os homens são facilmente mobilizáveis para a guerra e dificilmente mobilizáveis para a paz. Eis uma evidência que deveria constituir, a Humanidade sempre considerou, ou foi levada a considerar, a guerra como o mais eficaz meio de resolução dos conflitos, e sempre os governantes se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação da guerra que há-de vir. Mas foi sempre em nome duma paz futura que se declaram todas as guerras. É sempre para que amanhã vivam pacificamente os filhos que hoje são sacrificados os pais.

Isto se diz, isto se faz acreditar e acredita, porque se sabe que o homem, embora historicamente educado para a guerra, transporta no seu espírito um perene, ainda que confuso, anseio de paz. O homem intui, derradeiramente, que o que lhe confere humanidade não é o progresso ou o desenvolvimento científico e técnico, mas sim o desejo de paz. Daí que a paz seja usada como meio de chantagem moral por aqueles que têm interesse na guerra: ninguém ousaria confessar que faz a guerra pela guerra, afirma-se, sim, que se faz a guerra pela paz. Por isso, e só por isso, todos os dias e em todas as partes do mundo continua a ser possível partirem homens para a guerra, continua a ser possível ir e lá destruí-los em suas próprias casas.

Falei de cultura, e talvez pareça que o fiz fora de propósito. Serei porventura mais claro falando de revolução cultural. Revolução cultural é uma expressão fatigada, consumida de contradições, perdida em projectos que a desnaturam, desgastada em aventuras cuja indiscutível generosidade veio a servir interesses que radicalmente lhe eram contrários. Sem dúvida não foram vãs essas agitações, abriram-se espaços, alargaram-se entendimentos. Mas é tempo de reconhecer e proclamar que a única revolução cultural realmente merecedora de tal nome será a revolução da paz, aquela que transformará o homem treinado para a guerra em homem educado para a paz e a quem a paz educou. Essa, sim, será a grande revolução mental, portanto, cultural, da Humanidade. Este será, de facto, e em tudo, o homem novo.

Por de mais temos visto que abundam os governos que não defendem a paz. Cabe portanto aos governados prepará-la. É talvez uma utopia que fará sorrir os cépticos e os que, servindo os senhores da guerra, não pensam em mais que servirem-se a si próprios. São esses que, chegada a hora, nos mobilizam para a guerra e contra a paz, para a guerra e contra a cultura, para a guerra e contra a cooperação dos povos. Que faremos, então? Mobilizemo-nos todos para a luta pela paz.

É certo que há uma terrível desigualdade entre as forças materiais que proclamam a necessidade da guerra e as forças morais que defendem o direito à paz, mas é também certo que nada, em toda a História, pôde vencer a vontade dos homens, excepto a vontade doutros homens. Não é com forças de transcendência que temos de confrontar-nos, mas sim, e apenas, com outros homens. Trata-se, então, de tornar mais forte a vontade de paz que a vontade de guerra. Trata-se de entrar em mobilização geral para a luta pela paz: é a vida da Humanidade que estaremos defendendo, esta de hoje, e a de amanhã, que talvez se perca se não começarmos a defendê-la agora mesmo. A Humanidade não é uma abstracção retórica, é carne sofredora e espírito ansioso, e é também uma esperança inesgotável. A paz é possível. Mobilizemo-nos para ela.”

by Michelle

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Voto consciente

setembro 4, 2010

Faltam poucos dias para a eleição, mas será que estamos mesmo preparados para escolher nossos representantes?

A palavra “voto” vem do latim “voluntas” e significa vontade. É a designação mais apropriada para essa ação, pois o voto representa a vontade individual do cidadão em torno do país que ele deseja construir. Votar significa escolher alguém para controlar o poder político em qualquer instância e definir os caminhos que serão tomados pela nação.

Por representar um avanço muito importante no processo político, a escolha do representante deve ser feita de forma segura e consciente. Primeiramente, é fundamental conhecer a função de cada alçada de poder e se informar sobre os deveres de cada cargo político. Outro momento importante dessa escolha é avaliar o programa de governo e a história e evolução na política do aspirante ao cargo. É relevante, também, se informar sobre sua base de apoio, sobre os financiadores de sua campanha e sobre a ideologia do seu partido. Com essas informações, o eleitor entende quais são os limites das promessas dos candidatos e como ele pode atuar em benefício da sociedade.

O voto é um instrumento que, apesar de representar uma escolha individual, deve ser efetivado considerando toda a nação. Por esse motivo, optar por candidatos que prometem recompensas, compram votos ou oferecem vantagens não é votar de forma consciente. Um candidato que é capaz de corromper a lei eleitoral para chegar ao poder, também é capaz de se valer de práticas ilícitas ao ocupar o cargo que pretende.

No entanto, é importante ressaltar que a responsabilidade do eleitor não acaba nas urnas, mas se estende por todo o mandato. A fiscalização dos gastos públicos, das medidas que estão ou não sendo tomadas, as denúncias de corrupção são ações de tanta importância quanto o ato do voto no dia das eleições.    

O voto é um direito que demandou muitas lutas e revoltas no passado político do Brasil para que fosse garantido a todos. Por ser uma conquista social tão importante, ele não deve ser desperdiçado. Se a população brasileira se encontra em um estágio de descrença na política da ordem atual, é porque não valorizou o seu papel na escolha dos candidatos. Se interessar por política é se interessar pela própria sociedade em que vive. As justificativas de que “políticos são todos iguais” e “não gosto de política” não acarretarão as melhoras sociais que tanto se exige, pois aqueles que não gostam de política são governados por aqueles que gostam.

by Michelle (sim, voltei!)

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T-shirt war

fevereiro 10, 2010

by Michelle

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A piscina mais funda do mundo

fevereiro 10, 2010

 

Nesse verão atipicamente quente que estamos enfrentando nada melhor que uma piscininha para se refrescar. Mas à piscina que me traz aqui ao Os Impublicáveis hoje não se pode aplicar a terminação “inha”. Considerada a mais funda do mundo, Nemo 33 situa-se na Bélgica [Sim, você errou se achou que ela estivesse em um país que convive com um calor insuportável], com uma profundidade aproximada de 33 metros. Nemo 33 é na verdade uma estrutura de vários níveis que serve tanto pra recreação, quanto para aulas de mergulho em águas profundas. Além de lazer, vem também sendo usada para filmagens, pesquisas, teste de protótipos e até exercícios navais. São necessários dois milhões e quinhentos mil litros de água para encher os seus vários níveis de cavernas artificiais que servem para simular mergulhos reais. A piscina tem 6 metros acima do nível do chão – os outros 27 metros, equivalentes a nove andares de um prédio, são subterrâneos. Há duas cavernas submarinas, com água na parte de baixo e, em cima, um pequeno espaço cheio de ar respirável. As brechas servem para descanso e para o instrutor poder conversar com os alunos sem ter que voltar à superfície. Elas abrigam até 50 pessoas. O limite de mergulhadores na piscina é de 50 por hora durante o dia, e 30 por hora durante a noite, para não superlotar o local.

 

Eu não sei quanto a vocês, mas fiquei com uma enorme falta de ar só de olhar essas cavernas artificiais.

Bom, é isso!

P.S.: estamos de volta, tentando atualizar o blog que ficou um tanto parado nessas férias.

by Michelle

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A que ponto nós chegamos…

fevereiro 9, 2010

Comerciante pede trégua aos ladrões em SP

Saiba mais!

by Michelle

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As melhores de 2009 no twitter

janeiro 3, 2010

Ainda num clima de despedida de 2009 veja os tweets mais polêmicos do ano segundo o Folha Online.

  • Xuxa, apresentadora de TV, defendendo sua filha, Sasha, que escreveu cena com S no Twitter: ”fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”.
  • Aloizio Mercadante, senador (PT-SP), colocando a liderança do partido à disposição: ”Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável.”.
  • Danilo Gentili, integrante do “CQC”: ”Agora no TeleCine KingKong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q e? Jogador de futebol?”.
  • Rodrigo Scarpa, o Repórter Vesgo do “Pânico na TV!”, cutucando o piloto brasileiro Rubens Barrichello: ”Façam um teste: Se vocês digitarem ‘twitter’ no Google, imaginem quem chega em segundo? Hahahaha!”
  • Rubinho,  respondendo ao humorista da RedeTV!: ”@rodrigovesgo acredito que voce deve preferir ser um humorista meia boca do que vice campeao do mundo de F1 né?”.
  • Luciano Huck, apresentador, criticando a concorrência publicamente: “Agora o Gugu quer ‘se inspirar’ também no Lata Velha!!! Hahahaha…ô falta de imaginação!!!! Tem gente que acha que povo é burro, né não?”.
  • Homero Salles, diretor do “Programa do Gugu”, rebatendo: “@huckluciano, deixa de ser babaca…você dirige um TAXI que o Gugu dirigia e pensa que pode falar dos outros?”.
  • Ivete Sangalo, cantora, alguns momentos antes do nascimento de seu primeiro filho: ”Crianças, agora vou parar de twitar porque acho que chegou a hora de ter meu baby. Obrigada pelo carinho de todos. Um bju enorme!”

by Michelle

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Geração Y, o outro lado de Cuba

dezembro 26, 2009

2009 foi o ano para comemorar diversos episódios importantes da história: queda do muro de Berlim, Crise de 29, Revolução Chinesa  e também 50 anos da Revolução Cubana. Aquela velha história: Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e outros líderes do Movimento 26 de Julho puseram fim à ditadura de Fulgêncio Batista e ao domínio estadunidense no país e fim. Fim? Será mesmo que foi esse o fim vitorioso de Cuba?

 Todos sabem que a ilha rebelde teve lá suas vitórias, principalmente no lado social, mas a nova geração vem, em uma corrente contrária, afirmando que nem tudo são flores. É o caso de Yoani Sánchez. Formada em letras, ela edita o blog “Generacion Y”, um blog de repercussão mundial que conta a história de uma Cuba bem diferente: cultura, política e sociedade de um ponto de vista nem sempre tão fraterno ou glorioso. “Geração Y é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yusimí, Yuniesky e outros que carregam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam”, diz a jovem cubana.

Então, fica a dica ou, como prefere minha colega blogueira, fikdik do blog cubano.

by Michelle

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As melhores fotos de 2009

dezembro 24, 2009

Bom, depois de um longo período de provas e problemas a resolver aqui estamos, tentando recuperar o tempo perdido! Eu sei que o Lázaro já está responsabilizado pelas retrospectivas, mas vou dar uma ajudinha. O Olho Mágico do Uol separou 42 fotos como as melhores de 2009 e eu dei uma olhada nelas e são realmente incríveis. Não coloquei nenhuma no blog pra aguçar a curiosidade mesmo. Então passa lá, admira o trabalho dos fotógrafos e vota na sua favorita.

by Michelle

P.S.: Feliz Natal pra todos os nossos leitores!

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Idênticos

dezembro 18, 2009

by Michelle

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Fotografia: Sebastião Salgado

dezembro 4, 2009

Depois do meu último post fiquei pensando muito no que escrever. Queria alguma coisa muito boa e que tivesse imagens e acho que consegui escolher uma pessoa que ilustra exatamente essas duas coisas: Sebastião Salgado. Pra quem não o conhece aí vai uma breve biografia: Salgado formou-se em economia, trabalhando nessa área no Ministério da Economia. Durante a ditadura foi para o exílio em Paris, onde descobriu sua verdadeira vocação (alguém pode me levar a Paris só pra eu ter certeza que é Direito que eu quero mesmo?): a fotografia. Começou como fotojornalista, cobrindo revoluções, guerras civis e a vida miserável do continente africano. Depois disso viajou o mundo fotografando a vida árdua de refugiados, camponeses, crianças e lançando livros com suas chocantes fotografias em preto e branco.

“Quis provocar um debate sobre o estado do planeta. Esta globalização de que tanto se fala não são apenas cifras. Também são pessoas que estão sendo globalizadas. Deixaram-me fotografá-las, tenho a responsabilidade de mostrar estas imagens da maneira mais ampla possível. É uma exposição global”, diz Sebastião.

Então, sem mais delongas, vamos às fotos:

Boy. Afghanistan, 1995 © Sebastião Salgado/AMAZONAS Images

 

School in refugee camp. Afghanistan, 1996 © Sebastião Salgado/AMAZONAS Images

Rwandan refugees. United Republic of Tanzania, 1994 © Sebastião Salgado/AMAZONAS Images

Sebastião Salgado - o fotógrafo

by Michelle

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