
Em uma conservadora escola para mulheres nos Estados Unidos a aula de Arte começa com uma pintura de uma carcaça no retroprojetor. As alunas se perguntam o que seria aquilo, ao mesmo tempo em que procuram no livro onde aquela figura grotesca se encontra. O que é arte? O que a faz ser boa ou ruim, e quem decide? Uma figura de uma vaca pintada de aquarela por uma criança para o aniversário da mãe pode ser comparada a um Rembrandt? Ou será que uma foto cotidiana vira arte quando tirada por um fotografo famoso? É preciso padrões, técnicas, composições, cores, temas específicos para se criar arte?
Essas perguntas para as personagens de “O Sorriso de Monalisa” não foram fáceis de ser respondidas. E mesmo para nós, que vivemos em uma época mais liberal, as respostas não vêm de maneira simples. Porque se fosse simples eu ganharia 10 mil dólares pelos desenhos que faço na carteira da sala de aula e, adivinhe só, eu não ganho.

O famoso Urinol de Duchamp
Há muitos livros grossos debatendo sobre o conceito de “arte”. E eu não li nenhum deles. Mas não é preciso um doutorado para entender que a arte é sim relativa. E mesmo que não compreendamos todas as formas de expressão artística, nem entendamos como um urinol pôde ser eleito a obra mais influente do século XX , nós temos acessos aos mais variados tipos de arte que a tecnologia e os séculos nos oferecem, e por isso ela, em todas as suas modalidades e não-modalidades, se faz presente no nosso dia a dia.
Listas dos mais vendidos, leilões para pessoas com gravatas borboletas e troféus dourados atribuem valores monetários a uma obra. A arte tornou-se um produto, tal qual o ambiente e a cultura, abstrações que ninguém achava que os capitalistas capitalizariam. E os artistas da Globo têm que abusar da
criatividade e da inovação para surpreender o público e a crítica especializada. Ou muitas vezes só têm que oferecer algo de qualidade e consumível, e deixar que a lucratividade faça seu trabalho. O alto preço alcançado não torna a arte mais importante ou menos importante para uma pessoa em particular. É muito provável que a mãe ache a vaquinha mais artisticamente relevante que “A Lição de Anatomia de Dr. Tulp”.
Hoje a arte não se restringe às nove modalidades em que foi dividida, e mesmo dentro dessas modalidades a arte se reinventa. Para mim muitos efeitos feitos com Photoshop são artísticos e certos vídeos do Youtube também. E continuo insistindo nos meus desenhos.
Tá, foco. Já falei que a arte é difícil de ser definida (eu falei isso? Pois to falando agora), que ela é individual, que muitas vezes ela é apenas mais um item no mercado, que ela surge das mais diversas maneiras e que os padrões servem pra atribuir preço e não valor “sentimental” a uma obra. Longe de discutir bom gosto, ou entrar na polêmica “Calypso é arte?” e para os mais controversos “Beethoven é arte?”, só me resta uma pergunta:
Quer comprar?

O Voo do Elefante, por Lalá - gravura pintada com Paint
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- A referida cena de “O Sorriso de Monalisa”: It’s art!
by Lalá






