
Não sei como o Twitter começou, e nem quando eu ouvi falar dele pela primeira vez. Só sei que um dia eu entrei no site e criei rapidamente uma conta. Comecei a seguir algumas pessoas e tuitei um dos maiores clichês do universo: “descobrindo o twitter”. É praxe o primeiro tweet ser alguma coisa que indica que a pessoa está totalmente perdida e curiosa, como “tentando entender isso daqui”, “me acostumando com o twitter”, “resolvi experimentar, me ajudem”. Sim, é verdade, todos que entram na famosa rede social para microblogging (???) precisam urgentemente de ajuda, pois não sabem ao certo por que entraram, pra que aquilo serve e nem por que faz tanto sucesso. Mas como não querem ficar pra trás com as novas manias e querem se sentir mais próximos do William Bonner, resolvem se aventurar por ali. Eu continuo sem saber por que entrei, pra que serve e por que faz tanto sucesso, mas que o Twitter é uma das coisas mais legais do século, ah é.
Foi seguindo o âncora com mechinha branca do Jornal Nacional que descobri que ele é bobo e que faz uso excessivo de onomatopéias. Eu nunca imaginava a voz da notícia fazendo enquetes para escolher a cor da gravata e nem piadinhas repetitivas sobre um helicóptero fictício. Ou talvez o twitter seja apenas uma forma do Bonner extravasar toda a seriedade jornalística sobre bombas no Iraque, bolsas de valores e eleições presidenciais, uma forma de ele liberar seus instintos mais infantis. Seu playground particular público.
Aliás, quando alguém perde de vez a capacidade de se divertir com coisas toscas é fato que envelheceu mesmo. Nós nos abarrotamos em ruas lotadas, nos isolamos com fones de ouvidos, nos batemos pelo último item da liquidação e nos xingamos por causa de 10 segundos perdidos no trânsito. Somos estressados, alienados, confusos e distantes. Acho que todos têm o direito de, com o devido controle, se divertir com vídeo-games, de rir da Turma da Mônica, cantar no chuveiro, jogar as chaves para cima e fazer voz estranha para um bebê.
A luta diária contra o tempo e contra as contas parece que transforma a população em um poço gigante de irritabilidade e impaciência. Culpa do sistema, que nos explora e desrespeita. E culpa da vizinha, que insiste em bater bife sete horas da manhã. O que eu faço para espantar o mau-humor é compartilhá-lo via twitter (acho que perceber que outros estão iguais ou pior que eu, me ajuda) ou tentar me distrair com outras coisas, bobas de preferência, como vídeo-games, Turma da Mônica e banhos demorados (é bom canalizar o mau humor contra o meio-ambiente, também).
O fato é que a vida moderna nos oferece muita dor de cabeça, muitos remédios para combatê-la e muitos efeitos colaterais desses remédios. E é assim que caminha a humanidade, entre bulas e reclamações, entre a necessidade de atitudes sérias e a necessidade de descontração singela.
Quanto ao Bonner e suas gracinhas, foi demais para para minha criancice, parei de segui-lo.
by Lalá @LalaAlbu